JOGOS OLÍMPICOS DE ESTOCOLMO 1912
Cecil Healy
Uma segunda oportunidade
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Cecil Healy |
Órgão do Comité Olímpico de Portugal
JOGOS OLÍMPICOS DE ESTOCOLMO 1912
Cecil Healy
Uma segunda oportunidade
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Cecil Healy |
Órgão do Comité Olímpico de Portugal
JOGOS OLÍMPICOS DE LONDRES 1908
DORANO PIETRI
Um pasteleiro com
sorte!
“Não
tenho medalha, nem diploma, nem uma coroa de louro
para
lhe dar, senhor Pietri, mas, para que não leve só más
recordações
do nosso país, receba esta taça de ouro, como
prova
da nossa admiração pelo seu comportamento”.
(Rainha Alexandra - no Estádio)
A prova mais exigente e difícil.
Alguns quilómetros por vencer ainda e os atletas a
evidenciarem, com mais intensidade, os efeitos de tão penoso esforço.
Decorria a prova da Maratona de Londres, 1908, a quarta
edição dos Jogos Olímpicos e a temperatura ambiente que se fazia sentir nessa
derradeira semana de Julho, quiçá inesperada naquele ambiente londrino,
começava a evidenciar no esforço e na energia despendida. Nitidamente cansados,
os atletas acusavam já uma notória desidratação, uma menos valia para a
distância que ainda faltava percorrer mas que, a muito custo, ia sendo cumprida
- assim até ao fim, pelo menos para os que conseguiram cumprir tão grande
distância.
Por essa altura, um atleta arrastava-se com a meta muito
próxima, quase à vista. Havia alcançado a frente da corrida e no comando já, tinha
os olhos assestados naquele tão desejado fim, ali tão perto. Alcançada a porta
do estádio, completamente trôpego, enfiou-se pelo lado errado - estatelou-se,
desamparado, no início da pista. Recebeu, de imediato, a presença de alguns
juízes mais interessados em valer ao infeliz do que cumprir o seu papel.
O público assistente mexeu-se no estádio e já só tinha
olhos naquele ser humano, o italiano Dorando Pietri que continuou a receber a
ajuda dos juízes de chegada e até de responsáveis médicos em serviço. Foram,
mais quatro, as vezes que voltou a tombar na pista e tantas as que voltou a
levantar-se, um último esforço em direcção à meta que acabou por alcançar,
amparado por um juiz e um médico.
Após cortá-la desmaiou mesmo e foi transportado em maca
para o posto de socorros.
O italiano completava a prova com um tempo de duas horas,
cinquenta e quatro minutos e quatro segundos mas, para os derradeiros
quinhentos metros foram necessários quase dez minutos! Era o vencedor da
Maratona e o segundo a chegar foi o norte-americano Johnny Hayes.
O presumível vencedor, o italiano Dorando Pietri, nascido
em 15 de Outubro de 1885, era oriundo de uma família de camponeses que, em 1879,
se radicou em Capri com a intenção de se dedicar ao comércio de frutas e
legumes - pai, mãe e quatro filhos - um deles, o Dorando, entrar no ofício de
padeiro. O jovem tinha duas paixões: a bicicleta e correr a pé pelas ruas de
Capri, um gosto que mais se acentuou um dia em que foi assistir a uma prova
local que incluía um dos mais famosos de então, o italiano Péricles Pagliani.
Assistente, entusiasmado, em determinado momento, não resistiu e desatou a
correr ao lado do ídolo italiano, vestido como estava, sem qualquer adereço
desportivo. Teimoso, resistiu e cortou a meta ao lado de Pericles. Esta louca
experiência seria o embalo futuro para a sua inscrição numa prova de três mil
metros a realizar em Bolonha. Participou e ficou em segundo lugar – foi o tiro
de partida para uma futura entrega às corridas. Deu, então início a uma espécie
de plano de treinos e daí os seus primeiros triunfos, em Itália e na França.
Foi experimentando maiores distâncias até que, em 1906, ficou apurado para uma
espécie de Jogos Olímpicos Intermédios a realizar em Atenas, uma prova em que
desistiu. Seguiram-se mais participações e mais vitórias até atingir o topo do
fundo italiano – foi a sua carta de
recomendação para Londres.Il 2 aprile 1906 Pietri
vinse la maratona di qualificazione per i Giochi
olimpici intermedi , che si sarebbero svolti in estate ad Atene , con
il tempo di 2 ore e 48 minuti. Purtroppo nella gara di Atene fu costretto a
ritirarsi al 24º chilometro per problemi intestinali, quando era al comando con
5 minuti di vantaggio sugli inseguitori.
Nel 1907
riportò numerose vittorie, tra le quali i titoli dei 5000 metri ai Campionati italiani (con il primato nazionale di 16'27"2) e dei 20
km. Ormai Dorando Pietri era il dominatore assoluto del fondo nazionale, in
grado di vincere dal mezzofondo alla maratona, ed aveva già ottenuto risultati
importanti sulla scena internazionale.A prova da Maratona teve lugar no
dia 24 de Agosto de 1908 e o tiro da partida foi dado junto a uma varanda do
Castelo de Windsor por Lord Desborought. Logo no início, Dorando Pietri, tomou
a dianteira e deu a entender que estava apostado em ganhar a corrida. Dez
quilómetros vencidos, quatro atletas seguiam isolados: o italiano em questão,
os britânicos Lord e Price e o sul-africano Hefferson. Pouco tempo depois os
ingleses encostaram ao passeio e decidiram terminar ali a sua aventura. Por sua
vez, o sul-africano, suando por quantos poros tinha, resolveu aceitar uma
bebida refrescante que um espectador mais entusiasmado lhe proporcionou – uma
garrafa de champanhe! A menos de meia milha do estádio não aguentou uma forte
dor de barriga – o espumante havia-lhe provocado uma tremenda volta nos
intestinos – ficou para trás!
Foi então que o italiano livre de concorrência forçou o
andamento mas “gripou os rolamentos”.
O pior estava pata acontecer.
Apesar de vitoriado e tido como vencedor da Maratona, choveram
os protestos e a guerra instalou-se na secretaria.
Os dirigentes norte- americanos pediram a desqualificação do italiano denunciando
o comportamento da chegada como anti-regulamentar, mais concretamente o comportamento
dos juízes de pista e dos médicos de serviço. Cientes da consistência da
reclamação dos responsáveis americanos, outro facto aconteceria: convencidos de
que o pasteleiro iria ser desclassificado, Hayes saiu do Estádio Olímpico aos
ombros dos seus compatriotas e aclamado campeão da maratona!
Entretanto, o pobre do italiano estava entre a vida e a
morte.
E Dorando perdeu mesmo a corrida devido à desclassificação.
No dia seguinte, o nosso homem já recuperado e livre de
ter embarcado “desta para melhor”
compareceu no Estádio e ouviu da própria Rainha Alexandra as seguintes palavras
que iriam modificar por completo a sua vida futura: “ Não tenho medalha, nem
diploma, nem uma coroa de louro para lhe dar, senhor Pietri, mas, para que não
leve só más recordações do nosso país, receba esta taça de ouro, como prova da
nossa admiração pelo seu comportamento”.
Entusiasmado o italiano deu uma volta de honra ao Estádio
vibrantemente aclamado pelo público como se fosse o verdadeiro campeão olímpico
da maratona.
O jornal londrino Daily Mail abriu uma subscrição pública
que rendeu 300 libras, uma importância muito grande para a época. Posteriormente,
Dorando enveredou pelo profissionalismo no atletismo. Numa das viagens que
efectuou aos Estados Unidos, voltou a correr a maratona e a ganhar a John Hayes
por duas vezes, em 1908 e 1909.
Foi considerado um dos grandes maratonistas de todos os
tempos.
Acabou a vida não se sabe como, dizem que como motorista
de táxi, na cidade italiana de Capri, sem um vintém, vítima de um golpe
financeiro de um seu irmão de sangue – outros dizem que não, pois acabou rico e
dono de uma cadeia de lojas dedicadas à pastelaria.
Um homem de sorte!
"Autor: Ilídio Torres,
Membro da Academia Olímpica de Portugal,
órgão do Comité Olímpico Português."
JOGOS OLÍMPICOS DE LONDRES 1908
Desportivismo à moda antiga
Fair-play
Um episódio de um tempo
ido mas de um incomensurável alcance.
O significado, um desfecho
tão raro no conturbado mundo do desporto em que a luta pela vitória está muitas
vezes aliada a comportamentos execráveis.
Felizmente, este,
um exemplo para muitos, aconteceu numa carismática época em que as olimpíadas buscavam,
finalmente, o rumo desejado, nos Jogos Olímpicos de Londres, em 1908, a
demonstração inequívoca do desportivismo, do tão apregoado fair-play.
O público
assistente seguia as provas de luta greco-romana que se desenrolavam ao alcance
dos seus olhares e que as sucessivas eliminatórias haviam determinado dois
finalistas, dois lutadores suecos, o Frithiof Martenson e o Mauritz Andersson.
Em determinado
momento do combate, um dos atletas, Mauritz Andersson, solicitou ao juiz a sua
vontade, a sua intenção de interromper por algum tempo o combate a fim de
permitir que o seu adversário recuperasse de algo que o apoquentava, evidente
no seu estado físico que ia dando conta de algo anormal.
Na verdade,
Frithiof Martenson estava com algo, um problema impeditivo de continuar. Mais
ainda, Andersson voltou a informar o juiz que aguardava o tempo que fosse
necessário para a recuperação do rival porque era seu desejo que a vitória
fosse decidida em combate e não por uma qualquer lesão.
O juiz atendeu o
atleta e deu indicações ao adversário para interromper o combate, ser visto e …
curado!
E foi mesmo porque
o resultado final haveria de ser o contrário do que se esperava.
O atleta lesionado
recuperou da lesão temporária e parece ter entrado com forças redobradas porque
acabaria por vencer o combate.
Martensson acabou por derrotar o amigo que permitiu a sua recuperação física quando poderia beneficiar da sua lesão e vencer o combate.
Impensável nos dias
que correm, neste mundo do desporto, um inusitado e louvável comportamento.
Incrível.
Autor: Ilídio Torres
Membro da Academia Olímpica de Portugal
Comité Olímpico de Portugal
JOGOS OLÍMPICOS DE SAINT LOUIS 1904
ORGANIZAÇÃO:
“A bizarria e o irreal”
Era a terceira edição dos Jogos Olímpicos, realizada
nos Estados Unidos, na cidade de Saint Louis, em 1904 - também, a terceira vez
que um acontecimento daquele tipo, a exemplo das anteriores de Paris, em 1900,
e de Atenas, em 1896, iria ficar manchada por uma certa bizarria, relativamente
à organização e ao facto de serem integrados na Exposição Universal.
A Maratona foi uma das provas afetadas por alguma
confusão e até irregularidade - a mais carismática e a mais nobre, a fechar o
calendário organizativo.
Os terceiros Jogos foram, então, destinados para Saint
Louis, escolha que se ficou a dever à intervenção de Franklim Roosevelt,
Presidente dos Estados Unidos que puxou
a organização para aquela cidade, contrariando o projeto de Chicago, cidade
para onde estava inicialmente destinada - um dos argumentos invocados foi a
realização da referida Feira Mundial de 1904.
A Maratona de Saint Louis foi, assim, disputada sob o
signo da jactância, uma série de episódios a ultrapassar o caricato, uma
organização que denunciou uma tremenda ignorância relativamente ao fenómeno
desportivo - neste caso, a Maratona foi cumprida num percurso muito estranho e
irregular - aquele dia 30 de agosto de 1904 foi um autêntico massacre para os trinta
e dois atletas oriundos de quatro nações.
A primeira reação emanou do público assistente, há muito,
farto de aguardar pela chegada dos atletas, quando precisamente, três horas e
treze minutos após a partida, chegou ao Estádio o primeiro atleta, Fred Lorz,
um americano, de imediato, aclamado vencedor e até alvo da homenagem de Alice
Roosevelt, a filha do Presidente Americano que posou ao lado do pretenso
vencedor da Maratona.
Nesse crucial momento da consagração o Estádio abanou com uma notícia que denunciava o atleta Fred Lorz como um batoteiro porque havia sido descoberto - cumprira onze milhas do percurso à boleia de um carro - apenas havia corrido quinze quilómetros e apanhou a dita boleia até faltarem sete quilómetros para o fim da prova!
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| Fred Lorz |
Colocado perante esta acusação Lorz teve a hombridade de confessar o crime sendo de imediato afastado da competição após sancionada a sua desclassificação.
Graças a esse estratagema foi o primeiro a cortar a
meta, mas acabou por ser descoberto e assim declarado vencedor o segundo atleta
a cortar a meta, Thomas Hicks, um norte-americano de origem inglesa, mas também
não isento de acusações relativas a atos irregulares detetados durante o
caminho desde a ingestão de produtos estranhos para o tempo, caso do álcool e
da estricnina.
Em termos atuai,s a ingestão desses produtos enquadrar-se-ia
no fenómeno do doping. Teve início a dez milhas da chegada no momento em que,
exausto, anunciou a sua desistência, intenção que foi contrariada pelos amigos
que o acompanhavam de perto num carro. Declarou estar exausto, não aguentar nem
mais um centímetro! Um novo esforço e uma nova paragem, outra dose de
estricnina, desta feita com dois ovos, acompanhada de uma refrescadela de água
oriunda de um carro que acompanhava os atletas. Uma nova paragem e uma nova
insistência, até à meta. A última dose fez com que o atleta chegasse ao fim do
percurso com dez quilos a menos, cambaleando, a dar conta de si, mas com
alucinações! Segundo uma declaração médica Hicks correu um grande
risco pois uma nova dose de estricnina mais poderia ter sido fatal - cortou a meta
amparado por dois homens.
Muitos
anos então se passaram até ao momento em que a ingestão de produtos capazes de
alterarem as capacidades atléticas e de resistência e assim obter melhores
resultados se encontra sob a vigilância apertada da lei antidoping. Estava-se quase
a um século de distância desse fenómeno “doping”,
numa altura em que decorria uma florescente implementação do Ideal Olímpico, um
tempo em que as sucessivas edições dos Jogos iam rompendo os quadriénios
previstos.
Os atletas viviam ainda em condições muito precárias de treino e sofriam pressões constantes hoje tidas como ultrapassadas. Em Saint Louis, aquele dia de Agosto, apresentava-se demasiado quente, o ar quieto com ausência total de vento, verdadeiramente quente e húmido. A maratona foi iniciada às 14 horas e 30 minutos sendo o percurso muito duro com um início de cinco voltas ao Estádio Olímpico e a fuga para a estrada em terra batida e com a agravante de alguns automóveis a levantarem mais poeira. A primeira coisa a fazer-se sentir demonstrou a dificuldade dos atletas na respiração, uma prova tão dura que dos trinta e dois corredores, apenas catorze completaram a prova.
Toda
a corrida foi um caos com as sucessivas desistências, atletas a vomitar e
problemas estomacais, ferimentos por quedas.
Saint Louis 1904
A bizarria e o irreal
JOGOS OLÍMPICOS DE INVERNO
INNSBRUCK 1964
EUGÉNIO MONTI
Tributo à glória
Instado,
Monti responderia que o afastamento
dos
britânicos iria possibilitar a vitória italiana,
coisa
que não teria valor nenhum porque ele
mesmo
se recusava a lutar contra vencidos!
Nove
vezes campeão mundial e seis medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno,
um dos mais categorizados atletas de bobsleigh, uma modalidade que
dominava e onde conseguiu atingir velocidades incríveis.
Para
além dos seus feitos atléticos. foi campeão do desportivismo, o justo prémio de
um extraordinário comportamento humano protagonizado nos Jogos de Inverno de
Innsbruck, em 1964.
A
título póstumo, seria agraciado pelo Comité Olímpico Internacional com a Medalha
Pierre de Coubertin, a primeira vez que a distinção foi atribuída, um
prémio eternizador da figura do visionário e idealista dos Jogos Modernos, uma
autêntica Comenda que se destina a glorificar quem se evidencie por
nítidas e louváveis atitudes do mais puro Espírito Olímpico. Esta distinção, uma
medalha em oiro maciço, não tem, como objectivo único, premiar o desempenho
técnico e atlético, uma atenção mais centrada nas qualidades humanas,
reveladoras de comportamentos no âmbito da ética desportiva.
O
ser humano em questão, um homem na completa dimensão do termo, o italiano
Eugenio Monti, protagonista de significativos atos, capazes de lançarem o repto
sobre quão difícil será encontrar, no mundo, alguém capaz de algo semelhante!
Aconteceu
na cidade austríaca de Innsbruck, na sede dos referidos Jogos Olímpicos de
Inverno, de 1964 onde Monti era o capitão da equipa italiana na modalidade de
trenó, na especialidade de duplos. Em determinado momento da prova, o italiano
deu conta da existência de uma avaria técnica no trenó britânico de Tony Nash e
Robin Dixon, à primeira vista, um problema de difícil resolução. Constatou que
a correia do trenó estava deteorada, a possível causa de uma hipotética ou
inevitável desistência. Quem presenciou a cena não pode reprimir um sentimento
de plena admiração ou até estranheza relativamente à atitude de Monti que, num
gesto de pura fraternidade, ele mesmo retirou a correia do trenó italiano, o
seu, e a entregou aos britânicos - estes conseguiram resolver a avaria do seu trenó, a tempo de participar na
prova. Tratava-se de uma semifinal para a qual os italianos já se encontravam
apurados.
Inacreditável!
Os
britânicos acabariam por vencer essa série e o ansiado apuramento!
Instado
sobre este procedimento Monti responderia que o afastamento dos britânicos iria
possibilitar a vitória italiana, coisa que não teria valor nenhum porque ele
mesmo se recusava a lutar contra vencidos! E a final iria ditar o que se temia:
os britânicos venceram, conquistaram a medalha de oiro e os italianos de Monti
quedaram-se por um terceiro postos!
Mas
o comportamento de Eugenio Monti não iria ficar por aqui.
Nos
mesmos Jogos, na primeira eliminatória da prova de trenó de quatro, a equipa do
Canadá, favorita à vitória final, teve uma avaria, denotando incapacidade em
resolver o problema. Sem outro motivo que não fosse o sentimento de ajuda, a
equipa de Monti foi em socorro deles e disponibilizou-lhes a sua própria equipa
de mecânicos que, eficaz, ainda conseguiu reparar, a tempo, o trenó.
Um
simples parafuso resolveu a questão!
Conforme
o sucedido com os britânicos na prova de trenó de dois, a equipa do Canadá
conseguiu reparar o seu veículo e ... deslizar para a vitória final, acabando
os italianos por se quedar noutro terceiro lugar, uma medalha de bronze!
Duas
derrotas ou duas vitórias de algo fantástico que ultrapassa a normalidade.
Eugenio
Monti, era natural de Auronzo e seguiu os pais até Cortina d’Ampezo onde
estudou e teve a sua prática desportiva, primeiro com muito sucesso em 1945 nos
campeonatos estudantis e depois, em 1949, já campeão de Itália de ski em slalom
gigante e especial. Apesar de ser uma promessa séria foi obrigado a abandonar a modalidade devido a
uma inesperada lesão, uma rotura de ligamentos, razão porque enveredou pelo
trenó onde chegou a campeão do mundo e olímpico.
Teve
um fim de vida muito triste.
Antes
de ser apanhado pela doença de Parkinson foi nomeado Comendador da República
Italiana, uma das maiores distinções concedidas a um atleta. Teve de suportar
um problema conjugal, a separação da esposa, uma filha que emigrou para os
Estados Unidos, a morte de um filho apanhado nas teias da droga vitimado por
uma overdose e ...ele, condenado pela terrível Parkinson - em 30 de Novembro de
2003 ... o suicídio!
Melhor
sorte merecia.
JOGOS
OLÍMPICOS DE PARIS 1900
Michel Theato
A maratona – “um vencedor contestado”
As quatro dezenas de quilómetros prestes a serem
cumpridas, um esforço fora do comum – ânimo recuperado e o atleta a parecer ganhar
forças quando vislumbrou a meta naquela prova da Maratona dos Jogos Olímpicos
de Paris, em 1900.
O presumível vencedor, um campeão olímpico, haveria de
sofrer o mais estranho dos choques quando, após cortar a linha da chegada, levantou
os braços a denunciar uma natural e justificada expressão de alegria e
satisfação.
Estranhamente, para ele, o pior estaria para acontecer
quando tomou consciência de que a receção por ele esperada, nada tinha a ver
com as habituais manifestações de júbilo – caladinho que nem um peto.
De imediato, buscou uma justificação para tão estranho
comportamento e quase desfaleceu quando o informaram que era o quinto
classificado!
Impossível!
A exclamação solta por Arthur Newton, o desesperado e
desiludido atleta, repetida, tantas as vezes, quantas as forças lho permitiram.
Algum tempo decorrido, já mais calmo, abeirou-se dos juízes de chegada e
disse-lhes que a partir de determinada parte do percurso deixou o pelotão para
trás e mais ninguém, até ao fim da prova, lhe passou à frente!
De imediato se apercebeu que, face às informações
recebidas e aos resultados apontados, alguém havia percorrido outro caminho que
não o oficial, encurtou a distância e zarpou para a meta – quatro, em seu
entender, foram os prevaricadores, ajudados ou não por alguém, chegaram à sua
frente!
Neste clima de desconfiança ou não aceitação do
resultado, um outro atleta norte-americano, Richard Grant, foi também denunciar
à organização que, em determinado momento da prova, foi ultrapassado pelo já
anunciado, Michel Theato, montado numa bicicleta!
O certo é que o luxemburguês, a representar a França,
foi mesmo considerado vencedor e as reclamações efectuadas não foram atendidas.
Uma história a rondar o anedótico, prenhe de fantasia
ou uma invenção.
Esta
prova da Maratona dos Jogos Olímpicos de Paris, em 1900, parece ter deixado
dúvidas ou desconfianças relativamente ao seu vencedor, Michel Theato, um
cidadão luxemburguês que muito novo, com doze anos, emigrou para França e
acabaria por ser inscrito como francês!
Quem
mais barafustou contra a vitória do francês emprestado
foram os americanos, sem sucesso.
O
fenómeno do Olimpismo Moderno estava a dar as primeiras passadas e as
organizações das primeiras edições manifestaram-se muito aquém do que era
exigido, um começo titubeante, um desempenho organizativo que aos poucos ia
ganhando corpo e atingindo níveis de exigência normais.
Relativamente
à vitória de Michel Teatho e a hipótese colocada de que havia percorrido um
caminho diferente do programado, não pode ser posta fora de hipótese atendendo
a que ele conhecia perfeitamente as ruas de Paris, atalhos que dominava, muito
bem, dizem que devido à sua profissão. Informações dão-no como empregado de uma
padaria, uma mais-valia para ser um conhecedor das ruelas de Paris onde
distribuiria o pão. Esta teoria é afastada por alguém que afirma não ser
padeiro, antes carpinteiro!
Os historiadores Olímpicos André Drevin e
Raymond Pointu ocuparam-se deste problema tendentes a condenar Theato, um facto
que perece nas dúvidas do tempo e nas hipóteses porque também é verdade que
ninguém tem a certeza do que realmente aconteceu.
Relativamente
à naturalidade de Michel, foi confirmado que por altura da realização dos Jogos
de Paris, o luxemburguês deveria estar no serviço militar daí a sua possível
naturalização antes de 1900. De igual modo, o Luxemburgo nunca reivindicou a
vitória ou então eram coisas que passavam à margem da lei.
Relativamente
às acusações de que o vencedor tenha percorrido outro trajeto, a deitar água na
fervura, surgiu o jornalista Frantz Reichel que fez a cobertura da Maratona
para “O Jornal dos Desportos”, afirmando que Michel Theato cumpriu o traçado.
A
completar este cenário apareceu Dick Grant a processar o Comité Olímpico
Internacional por ter sido atropelado por uma bicicleta deitando as culpas para
a organização e alegando que o veículo estava a dar apoio a Theato.
Maratona de Paris 1900 |
Otto
Mayer, representante do COI, confessou-se impotente para resolver este caso
alegando não estar na previsão da organização.
A
suspeita da vitória do luxemburguês continuou para muita gente, em especial
para os anglo-saxões que se inclinavam para o não cumprimento do percurso
oficialmente traçado.
Entusiasmado
com a vitória na Maratona de Paris, em 1900, Michel Theato optou pela
profissionalização uma coisa que parece não ter resultado em virtude da
ausência do conhecimento público de possíveis vitórias. Também não teve uma
vida muito longa, faleceu em 1919 com quarenta e um anos.
Interessante
que só decorridos dois anos é que o Comité Olímpico Internacional homologou a
vitória de Michel Theato.
JOGOS
OLÍMPICOS DE PARIS 1900
Maxwell
Long
“Aplausos desviados”
Segundo os
cânones hoje defendidos as três primeiras edições olímpicas estiveram muito
aquém do desejado, muita desorganização e alguma bizarrice até.
Depois do
início prometedor de Atenas, em 1896, os seguintes de Paris baralhados e
integrados numa Exposição Universal, não estiveram isentos de uma certa onda de
confusão.
Estamos na
prova dos 400 metros disputada num clima de duelo entre franceses e americanos.
Um atleta se destacou, o americano Maxwell Long que haveria de cortar a meta em
primeiro lugar. Apesar da alegria da vitória mais entusiasmado ficou quando
sentiu estar a ser ovacionado, um facto que acabaria por deixá-lo perplexo
porque de imediato estranhou uma assistência francesa estar a aplaudir um
atleta estrangeiro. Uns momentos mais e a confusão haveria de ser desfeita: o
público assistente francês não estando a par da fisionomia dos atletas,
percebeu que o que acabava de cortar a meta era francês porque usava uma camisa
azul e branca – simplesmente, era a cor da Universidade Americana de Columbia
ali estampada num atleta americano.
Quando o
vencedor foi anunciado, aconteceu a deceção total e os aplausos terminaram ali
mesmo porque Maxwell Long era na verdade um homem americano daí a improbabilidade
de ser aplaudido.
Falta de desportivismo - Coisas de outrora!